segunda-feira, 1 de setembro de 2025

a verdadeira dialética

não sou eu quem inventa isso
como tudo o pensamento vem do espírito
a forma tacanha atrasada desumana
pela qual funciona a machina mundus
desde que começaram a usar alguma
espécie de dialética
se deve em grande proporção à própria
dialética que consiste num obscuro
mesquinho modo pra pensar
e agir
seja a dialética
platônica hegeliana marxista
ou qualquer outra que se invente
ela sempre é um veículo sem freio
sem gasolina com pneus carecas
e um lodaçal à frente: sempre
no seu lugar nós propomos uma prática
que eu vou nomear plurilética
ou lucilética
provisoriamente
pois como perceberam grandes pensadores
os rótulos funcionam bem
precariamente
a idéia que eu quero insinuar aqui
é que sempre que há dois polos
mesmo que sejam mais que dois
jogando uma bola de pingue pongue
de lá pra cá e volta e vai e volta
a coisa não sai do lugar
a proposta se degrada
então como potencializar
a proposta?
ah, sim, sejam esses polos
pessoas ou teses ou classes sociais
pouco importa
é sempre menos demais
não produz pensamento
o que dizer das práticas
esse falso movimento
grudento e retrógrado
o que seria então a verdadeira dialética
nomeada aqui como plurilética ou lucilética?
é a conversa polifônica seja interna
seja social seja como for
com que for
com quantos participantes tiver
mas sim quando ali há frestas
pelas quais penetra a luz
e aí sem vacilo
aí sim
temos
práticas potentes
e pensamento

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